Creio que internalizei a verdadeira relação que tenho com meu vício e, apesar das dificuldades e mudanças drásticas de humor, onde jogo beijos com a mesma mão que jogo pedras, percebo que desta vez algo está sendo diferente, é já houve outras tentativas, mas meus filhos eram o motivo, eles realmente me enchiam o saco. Desta vez não houve pressão, depois de um belo discurso sobre meu direito de poluir meus pulmões e a minha liberdade de escolher o caminho que quero traçar, assumi meu vício e desde então, eles respeitaram minha postura. Perguntaram-me hoje porque resolvi parar, listei os motivos: adorar estar no meio de gente e que realmente não houve outro.
Lendo a pouco o blog de uma amiga Juliana, onde ela cita o que escrevi resolvi reler o que escrevi sobre o meu pai, que meu vício me ligava a ele, não sabia o quanto isso podia ser o diferencial e verdadeiro ate colocar na escrita. Meu parceiro me disse que não se importava com o meu vício porque ele tinha percebido a muito tempo essa verdade.
Sim, o cara me marcou profundamente, sua ética vivida e não discursada, a coragem de dizer o que acreditava sem meias verdades, sua simplicidade e personalidade forte, sua segurança, tudo isso eu queria reter junto a mim. Queria manter nossa ligação, reforçado pela lembrança da despedida no hospital quando nos seus últimos dias ele me pedia um cigarro. Quando ele partiu fumei o restante dos cigarros que ele deixou e todos os cigarros que vieram depois disso foram oriundos do mesmo maço.
Sim, o cara me marcou profundamente, sua ética vivida e não discursada, a coragem de dizer o que acreditava sem meias verdades, sua simplicidade e personalidade forte, sua segurança, tudo isso eu queria reter junto a mim. Queria manter nossa ligação, reforçado pela lembrança da despedida no hospital quando nos seus últimos dias ele me pedia um cigarro. Quando ele partiu fumei o restante dos cigarros que ele deixou e todos os cigarros que vieram depois disso foram oriundos do mesmo maço.
Tive uma conversa com franca com ele e resolvi guardar comigo outras heranças, manter o cheiro de infância na infância. A fumaça é tão volátil, tolice acreditar que para mantê-lo vivo em mim tinha que manter essa ligaçao numa estrutura de formação de vapor. Meu Eu está tatuado com coisas que aprendi com meu velho e com os desenhos eu própria rabisquei e que às vezes penso que são traços demais e me renovo e me encolho e me estico para caber mais e mais. Fumaça é só fumaça. Troquei fumaça por lembranças de amor.
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